Sonetos

Epitáfio da ovelha

Algum dia tu viste a lua?
Por entre um sorriso falso
ou um pecado tão fantástico?
Ou dentre a ignorância tua?

Já viste a verdade nua?
Alcançaste o fim do espaço?
Provou-te vida a ruptura
deste sufocante laço?

Acorde, queria ovelha,
há aqueles que muito te amam
e esperam tua carne à ceia.

Tua alma evapora da veia.
Tua carne, pessoas mutilam
e bactérias fagocitam.

 

Soneto à vida

Oh! Vejam quão bela é a vida!
Vida fétida e barata,
incompreensível e ingrata,
ainda cara à alma maldita.

De tua líbido incontida,
incansavelmente gasta,
que arranha, geme e grita,
e ainda aos pobres é casta.

Oh, quão bela esta vadia!
Cara, e de caro perfume,
gentil à iconoclastia.

Um salve à tua anistia!
E que morra então de fome
quem de ti prova e não geme.

 

 

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