Sonetos
Epitáfio da ovelha
Algum dia tu viste a lua?
Por entre um sorriso falso
ou um pecado tão fantástico?
Ou dentre a ignorância tua?
Já viste a verdade nua?
Alcançaste o fim do espaço?
Provou-te vida a ruptura
deste sufocante laço?
Acorde, queria ovelha,
há aqueles que muito te amam
e esperam tua carne à ceia.
Tua alma evapora da veia.
Tua carne, pessoas mutilam
e bactérias fagocitam.
Soneto à vida
Oh! Vejam quão bela é a vida!
Vida fétida e barata,
incompreensível e ingrata,
ainda cara à alma maldita.
De tua líbido incontida,
incansavelmente gasta,
que arranha, geme e grita,
e ainda aos pobres é casta.
Oh, quão bela esta vadia!
Cara, e de caro perfume,
gentil à iconoclastia.
Um salve à tua anistia!
E que morra então de fome
quem de ti prova e não geme.
![[Digital Painting] Giant Flying Earthworm FROM HELL [Digital Painting] Giant Flying Earthworm FROM HELL](http://farm6.staticflickr.com/5128/5311228335_ee0276080e_t.jpg)



